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Alternativas para o Google Photos

A solução de fotos do Google é impressionante. Mas deve haver um motivo para incluí-lo na desintoxicação de dados, não é mesmo?

A solução de fotos do Google é uma das coisas mais impressionantes que a gigante de tecnologia já lançou como serviço ao usuário. De fato, fez qualquer postulante a concorrente parecer coisa do século passado (sou ser antigo nesse negócio, o Flickr me fez até comprar uma câmera Nikon caríssima na época). De fato, foi uma grande melhoria em relação ao Picasa, que a empresa havia comprado alguns anos antes de lançar o famigerado Google Photos.

Sim, este texto já começa listando vantagens realmente impressionantes do serviço: espaço ilimitado para fotos (desde que você permita que ele guarde os arquivos em resolução menor), transferência automática de tudo o que você fotografa no celular para a nuvem, organização automática em datas, fácil organização de fotos de câmeras digitais antigas. Ainda fica enviando lembranças de coisas legais que você fez em outros tempos, cria animações, pequenos vídeos, colagens. E possui um sistema de identificação de padrões nas imagens que fica mais inteligente com o passar do tempo: identifica pessoas nas fotos, objetos, animais, cores, além de todas as informações que vão junto com a foto (chamadas de tags EXIF), como data em que foi tirada a foto, local em que foi tirada e modelo de câmera, bem como suas especificações.

Mas deve haver um motivo para querermos incluir este belo produto na desintoxicação de dados, não é mesmo? Aqui começam os problemas:

O primeiro diz respeito à qualidade de fotos que você de fato vai registrar. Ao aceitar utilizar o serviço, você restringe a qualidade guardada à resolução de telas que temos hoje como padrão. Mas sabe como é, 4K, 8K, sabe-se lá que tipo de telas teremos para relembrar nossos momentos daqui a 30 anos. Eu acho que gostaria de que estivessem na melhor resolução possível, e não algo nos faça comparar qualquer foto de hoje com uma foto em papel antiga encontrada num ninho de traças. As câmeras dos celulares estão cada vez melhores também, o que faz a troca de celulares por causa da câmera quase um desperdício: você poderia optar pelo Google Photos e manter um modelo de celular de uns 8 anos atrás que estaria tudo bem. Para resolver isso, você pode pagar por espaço (planos de armazenamento de dados que valem para toda a sua conta Google).

Se pagar, os problemas acabam, certo?

Bom, não. Aí começa o nosso ponto de maior interesse: o que é feito com as suas lembranças enquanto dados em servidores Google?

Como comentei no começo desta nossa conversa, há um sistema de inteligencia artificial cada vez melhor calibrado para reconhecer pessoas, objetos, animais e cores. Duvida? Se você usa o Google Photos, já deve ter percebido que você pode buscar fotos com algumas pessoas. Pode também buscar por locais – informação que vai junto com o arquivo da foto tirada com o celular. Mas já experimentou procurar coisas específicas como “cerveja”, “sushi” ou “placas” entre as suas fotos? É de impressionar o nível de acerto.

Esta inteligência artificial, claro, não trabalha apenas em prol de suas fotos: o que o Google calibra com as suas fotos vira tecnologia que pode ser vendida a empresas que lidam com reconhecimento facial, por exemplo. Não há almoço grátis, já diz o pós-moderno provérbio.

Mas é quando nos afeta diretamente que estas questões ficam mais delicadas: suas fotos fazem parte do rol de informações que o Google dispõe para melhorar as informações de perfil que mantém sobre cada pessoa que usa seus serviços. Não basta saber onde você está o tempo todo (com a localização do celular), com quem você se encontra (com os celulares que estão próximos a você) e tudo o que você faz digitalmente, seja no computador navegando pela Internet ou com qualquer aplicativo em seu celular (Android). O Google Photos permite que este conhecimento seja levado a outro patamar: verifica em suas fotos quem são as pessoas, locais e momentos que foram dignos de registro. Quem realmente importava. Quem de fato são seus amigos e que coisas você realmente leva em consideração a ponto de registrar numa fotografia ou vídeo. Mesmo que você não queira, alguém usa o Photos e a mágica acontece, e acontece cumulativamente, como no caso de crianças exaustivamente fotografadas com celulares pelos pais de hoje e agora entrando em seus próprios dispositivos sem o direito a um “perfil de compra a partir do zero”. É quase distópico, mas é real e está acontecendo agora.

Tenho para mim que as fotos são um momento intrinsecamente íntimo. Podemos compartilhar coisas em redes sociais, claro. Mas há aquelas que são puramente lembranças, puramente emoções. Pensar que são estas as fotos que são usadas para alocar-me em clusters que serão utilizados para que uma empresa defina o tipo de informação que devo ter acesso, que bobagens devo comprar e até em quem eu devo votar é o tipo de absurdo que me dá ainda mais vontade de tornar estes textos mais populares.

Mas não vou me estender nisso. Já falamos um bocado sobre o que é feito com os seus dados. Passemos a falar então sobre o que fiz (e ainda estou fazendo) para acabar com uma dependência de anos do Google Photos.

O primeiro passo é, claro, tirar suas fotos do Google Photos

Uma pessoa tirando uma foto com o celular.

Para tudo o que você faz com a sua conta Google, há o centralizador de atividades (Google My Account). Ao acessar este painel de informações sobre a sua conta, é possível fazer uma série de ajustes sobre privacidade e segurança da conta. Significa que dados vão parar de ser coletados e analisados? Não. Então pulemos por enquanto esta parte.

Você pode ver informações sobre todos os serviços Google que você usa, serviços com os quais se conectou utilizando suas credenciais (o famoso “Inscreva-se utilizando o Google” de tantos sites) e que tipo de informação é manejada em cada um deles. Vamos focar por enquanto no Google Photos.

Lá está: tantas fotos tiradas. Há então uma opção de baixar este extenso arquivo, via solução de retirada de arquivos do Google (Google Takeout, este eu faço questão de linkar). O meu caso foram 27 gigabytes de fotos e vídeos, baixados em 14 arquivos de no máximo 2 gigabytes cada.

Ao começar a abrir o arquivo, começam as desagradáveis surpresas: o Google organizou muito bem as suas fotos no Photos, mas o arquivo que ele entrega pelo Takeout pode ser chamado de vômito ou coisa pior. As pastas estão organizadas por dia, o que já faz a tarefa de ver todo o seu acervo um problema em quase qualquer computador. E os arquivos chegam de acordo com o tamanho: você terá que ter o cuidado de fundir pastas que estão em diferentes partes do arquivo com o cuidado de não sobrescrevê-las para não perder nenhuma foto.

Resolvido? Nada, estamos apenas começando.

Ao investigar mais a fundo o seu arquivo, você vai ver que o Google foi muito simpático em mexer na resolução de suas fotos, mas não trocar o nome do arquivo, o que vira um problema para rapidamente organizar as fotos numa pasta única por ordem alfabética, um jeito rápido de ter em qualquer sistema aquela visualização bonita por ordem cronológica que o Google Photos oferece:

  • Fotos de câmeras mais antigas terão como nomes aqueles padrões DSC-9474638.jpg ou P7363838.jpg
  • Teve iPhone em algum momento? O padrão de nome de suas imagens é IMG-73638.jpg, números sempre aleatórios e que nada dizem sobre quando foram tiradas.
  • O Android é o que estabelece nomes mais simpáticos. Varia de acordo com o fabricante, mas seus arquivos possuem números que identificam ano, mês, dia, hora, minutos e segundos do momento em que a foto foi tirada, podendo ser precedidas ou não por IMG ou VID.
  • Claro que você subiu algumas imagens com nomes como “best-friends-forever-na-praia-de-baleia.jpg”. Você não pode culpar seu passado em, sei lá, 2003 por isso. O backup do quase falecido Flickr veio assim e é óbvio que foi mantido assim.

Então organizemos os arquivos pela data em que as fotos foram tiradas. Também não dá muito certo: por padrão, computadores e sistemas diversos entendem como data de criação o momento em que o arquivo foi criado localmente. Ou seja, suas fotos tem como informação a data do dia em que você baixou o arquivo do Google.

Se você pode conferir as informações EXIF de suas fotos, também perceberá que não há um padrão, parte culpa da natural evolução dos padrões ao longo de anos, parte porque o Google preferiu organizar como ele lia tais informações num arquivo separado: cada arquivo é acompanhado de um de mesmo nome do tipo JSON.

Eu juro para você: na primeira vez que ensaiei eliminar o Google Photos da minha vida, eu parei aí e desisti. A persistência, no entanto, me fez encontrar ferramentas muito interessantes que hoje permitem um controle total de todas as imagens digitalizadas que tenho em meu acervo. As mais antigas deixo no arquivo em papel mesmo porque esta é a beleza poética de ser de uma geração de transição: ter uma fase de vida totalmente analógica. Desculpe aí, jovem.

Como você quer organizar as suas fotos?

Uma mão segura a moldura de um porta-retratos em uma bonita paisagem

Decidir que tipo de solução iremos utilizar para guardar fotos e vídeos ajuda a buscar as soluções para os problemas que vamos encontrando pelo caminho. Por exemplo: se você decidiu baixar suas fotos para guardar em seu disco de computador ou externo, renomear fotos não vai ser assim tão decisivo.

Eu, no entanto, ainda queria uma solução mais próxima do que o Google Photos oferece: a praticidade de ter arquivos na nuvem independentemente dos dispositivos que utilizar, podendo acessar de qualquer lugar, a segurança de que somente eu terei acesso aos arquivos e que eles serão ali mantidos, já que discos de computador ou externos podem sempre quebrar. E com uma agradável opção de visualização.

Isso já trazia algumas responsabilidades: achar um serviço que trate dados de maneira responsável, mesmo pago, e organizar os arquivos do passado, além de facilmente sincronizar o celular para o envio automático de fotos para a nuvem. Já que teria que organizar as fotos, o tipo de aparelho que eu manteria também seria decisivo na escolha pelo padrão de nomeação de arquivos.

Voltando ao arquivo de fotos: EXIFTool

Decidi então que utilizaria o padrão do Android escolhido como celular, que salva as fotos em nomes como IMG_20200724_005434.jpg e vídeos com o prefixo VID.

Para renomear vários arquivos de uma vez, não encontrei nada melhor do que o EXIFTool, um programa opensource para Windows, MacOS e Linux que realiza tarefas em todos os arquivos que estiverem numa pasta. A parte que amedronta é que é um programa criado sem interface gráfica: você precisa digitar comandos no Terminal. A parte que me fez aprender o mínimo de comandos: pude renomear e organizar meus arquivos, 15.000 ou 27 gigabytes em fotos e vídeos, digitando apenas 3 comandos para renomeá-los e organizá-los em pastas por ano e mês.

  • Um comando procura em cada arquivo JSON do Google Photos numa pasta (e nas subpastas dela) a data de criação de fotos que não possuem tal informação nas tags EXIF e as atribui, movendo os arquivos para uma pasta que chamei de “Processadas”. Funcionou com 90% das arquivos.
  • Um segundo comando procurou uma outra data semelhante com outro nome no arquivo JSON para atribuir a tag EXIF às fotos que falharam no primeiro processo.
  • Um terceiro comando fazia a mágica: renomear as fotos da pasta “Processadas” para o padrão escolhido de acordo com a data da nova tag EXIF e organizar em pastas por ano e mês.

Três linhas tão simples e curtas como escrever um haikai, posso garantir. A melhor parte é que o criador do programa, Phil Harvey, é muito ativo no fórum de dúvidas sobre o EXIFTool e responde até a questões de usuários nada avançados no uso de linhas de comando, numa seção chamada Newbies (a melhor tradução seria algo como “iniciantes mesmo”). Virei fã. Pretendo explorar bastante as informações que estão ali. Até deixo um haikai-propaganda em homenagem:

Fotos eram o caos
EXIFTool organizou
Obrigado, Phil

Organizando as fotos e arquivos na nuvem

foto de nuvens vistas de cima

Como queria continuar a ter o melhor da nuvem, sabia que teria que escolher um serviço confiável, tentando perder o mínimo de serviços que o Google Photos oferece. Vamos falar sobre alguns deles que ficam como sugestão. Você é quem deve decidir aquele que melhor se adequa às suas necessidades.

Que fique claro também que estas sugestões foram escritas em 2020. Pretendo ir mantendo atualizado, mas é possível que eu não acompanhe todas as mudanças feitas em termos de uso das soluções que não escolhi utilizar. Neste momento, elas são interessantes pelo razoável nível de segurança ou por serem opensource de maneira integral. Ou ambos.

1) SpiderOak e Tresorit

Este é o tipo de solução pronta e segura para quem, por exemplo, já anda pagando por mais espaços em programas como o Google One (que inclui Drive, Photos e tudo mais), OneDrive ou o Dropbox. Foram as primeiras coisas que me recomendaram e realmente suas soluções são bem interessantes.

SpiderOak e Tresorit entram em dupla porque ambas tem o mesmo tipo de funcionamento: você compra um espaço de armazenamento e pode colocar o que quiser lá. Em versões empresariais, inclui também edição colaborativa de documentos e função administrativa que define quem tem acesso ao que. Na versão para indivíduos, o foco é jogar todos os seus arquivos lá e poder acessar de qualquer dispositivo via aplicativos ou navegador ou manter sincronizada uma pasta com o seu computador pessoal também. Para quem já faz arquivo pessoal no computador, pode ser uma boa possibilidade de backup de segurança.

A diferença fundamental de ambos para os concorrentes já citados é que ambos trabalham com encriptação de arquivos ponta a ponta: somente o usuário pode reverter este processo e saber do que se trata aquele arquivo que está ali. São serviços que estabelecem o conceito de Zero Knowledge, que significa que os provedores de serviços não tem como saber o que são aqueles dados.

Para pessoas ainda mais preocupadas com as questões de privacidade – no nível espionagem governamental da coisa, SpiderOak é uma empresa com sede nos EUA, enquanto o Tresorit mantém sede na Suíça, o que dá a ela uma vantagem no que diz respeito a leis que protegem os dados dos usuários. Além deles, há diversos outros serviços – ora mais voltados ao público empresarial, ora para um público mais técnico. O que é importante procurar neste tipo de serviço são estes conceitos que SpiderOak e Tresorit entregam: criptografia e Zero Knowledge.

Mas se você apenas procura uma alternativa ao Google Photos (e mais tarde, ao Drive também), qualquer um dos dois será uma boa opção.

2) Criptografar Dropbox ou Google Drive

Supondo que você seja um usuário apenas de serviços gratuitos, há sempre a opção de criptografar todo e qualquer arquivo antes que você o armazene na nuvem. Incluindo fazê-lo no Dropbox e no Google Drive. É basicamente o que o seu WhatsApp faz em relação aos backups: coloca uns arquivos no seu armazenamento do Google que somente ele pode descriptografar em mensagens e afins.

Aqui, eu imagino que seja uma função para ser olhada com mais carinho quando falarmos de outros tipos de arquivo, como documentos mais antigos que é sempre bom manter. Para as fotos, há um certo inconveniente que é você precisar baixar o arquivo para descriptografá-lo e então poder ver de qual foto se trata. Ou manter pastas inteiras sincronizadas, o que pode ser um pouco pesado para celulares com pouco armazenamento local e mais indicado para computadores.

De qualquer maneira, é uma opção que conta com vastas opções opensource, como por exemplo o VeraCrypt. Outra opção que não é opensource, mas que conta com versão gratuita para usuários individuais é o Boxcryptor, com funcionamento mais integrado com estas famosas soluções gratuitas de armazenamento.

Deixo claro que não foi o caminho que resolvi seguir por talvez ser a coisa menos prática quando falamos de fotografias que serão produzidas pelo celular.

3) OwnCloud e NextCloud

Estas duas opções servem sob algumas condições: você ou deve estar disposto a pagar por um serviço de hospedagem que até oferece um pequeno espaço gratuito para que você conheça as maravilhas da solução ou já tem alguma familiaridade com servidores e vai configurar um que você já use ou vai comprar (e com certeza vai pagar menos do que qualquer opção anterior).

Por quê? Porque OwnCloud e seu fork (um produto novo, mas derivado do código aberto de um produto anterior, a partir de uma outra abordagem de solução que não foi implantada pela comunidade original) NextCloud são opções opensource para hospedar dentro da infraestrutura de empresas na nuvem. Como o WordPress que faz funcionar este blog, por exemplo.

Bem configuradas, elas podem ser tornar robustas ferramentas corporativas que substituem completamente tudo o que você puder imaginar neste campo: podem funcionar como solução decomunicação entre equipes (como o Slack e o Microsoft Teams), de videochamadas (como o Google Meet, o já citado Teams e o Zoom), de agenda de equipes (nem toda solução de e-mail, principalmente se você vai pensar em um servidor de e-mail do zero, conta com calendário), de gerenciadores de processos (como o Trello e o Asana), de edição colaborativa de documentos (como Google Drive/Docs ou Office 365) e até se integram bem com alguns deles. E, claro, contam com um com um ótimo gerenciador de arquivos, que sincroniza pastas em computadores e, via aplicativo para celulares, permite o envio automático de pastas como as fotos tiradas por sua câmera. E você pode visualizar e gerenciar as suas fotos e arquivos tanto nos aplicativos quanto pelo navegador.

Você pode até mesmo utilizar os serviços gratuitos como parte de seu armazenamento de OwnCloud e NextCloud: é possível configurar esta conexão e criptografar tudo o que vai para estes servidores. Começando com cerca de 2 gigabytes oferecidos gratuitamente, 15 de Google Drive e mais um pouco de Dropbox, há um espaço considerável para a brincadeira.

Por se tratarem de soluções de código aberto, recebem constantes melhorias de uma comunidade bem engajada em tornar a solução completa para qualquer tipo de negócio e motivação: desde usuários querendo um backup pessoal na nuvem a grandes empresas precisando de soluções complexas e bem seguras. Aqui, a limitação do que OwnCloud e NextCloud poderão fazer por você vai ser mais ligada ao servidor contratado do que à ferramenta em si.

Sua instalação não é a parte mais difícil. Quem já instalou WordPress vai encontrar muitas semelhanças: é preciso subir os arquivos para o servidor, abrir um banco de dados e informar estas credenciais no arquivo de configuração.

Para ele funcionar redondinho, é preciso mexer em configurações do PHP, em mais algumas configurações do aplicativo no código e adicionar alguns pacotes que não são instalados por padrão em servidores. Também é necessário adicionar alguns crons, caches. Acredite: não é trivial se você não possui alguma experiência com isso.

Outra opção é contar com provedores de serviços de hospedagem que já oferecem soluções pré-configuradas de instalações. Tanto OwnCloud quanto NextCloud listam os serviços que recomendam.

Minha opinião sincera é que demandam um grande esforço para se tornarem soluções corporativas – o TI vai ter que trabalhar de fato! – mas funcionam muito bem em sua instalação padrão para virarem uma solução pessoal de armazenamento de fotos e documentos.

4) Piwigo

Na mesma pegada de algo que você deve se preocupar com a hospedagem ou contratar o serviço de hospedagem sugerido está o Piwigo. Também opensource, suas funcionalidades são 100% focadas em fotografia, talvez sendo o principal substituto nesta lista para o Google Photos.

Ele também funciona como um portifólio público de fotografia, a exemplo do que eram os serviços como Picasa e Flickr na época em que o Piwigo também surgiu. Contudo, anos de desenvolvimento pela comunidade também resultaram em um produto que pode ser completamente configurado para funcionar como armazenamento privado e seguro de imagens, com fácil visualização no navegador ou em aplicativo para celulares apenas pelo administrador.

Assim como no caso de OwnCloud e NextCloud, há um trabalhinho para configurar o servidor para bem receber o Piwigo. A vantagem é que, superada a dificuldade, você pode ter mais recursos focados no universo da fotografia, como editores de imagens, o amado EXIFTool para ajudar na organização e tags dos arquivos, como também um ambiente de visualização mais leve e fácil que qualquer solução descrita neste texto.

Pronto para mudar?

Uma mudança como a proposta neste texto (e tantas outras que ainda serão relatadas) é realmente um desafio longo. Não vou negar que muita gente vai torcer o nariz na primeira vez que ler “linhas de comando”. Por outro lado, tome realmente como um conhecimento novo, algo que pode ajudar a apresentar um novo universo.

Há, claro, uma barreira financeira, não vou negar. À primeira vista, optar por uma solução própria envolve recursos que você só pagaria ao Google Photos se o utilizasse demais. Creio que há coisas importantes aqui na discussão que podemos tratar lá na frente com mais cuidado: o custo final do que imaginamos ser gratuito é alto. Mas é compreensível a barreira. De qualquer maneira, se você já vai pagar por algo, pense em oferecer a um serviço muito bacana a possibilidade de ter fôlego para aumentar as ofertas de gratuidade.

Eu comentava recentemente com amigos como estava me apaixonando novamente pelo conceito de opensource, termo exaustivamente repetido na saga de desintoxicação de dados. Além disso, a área de dados também é muito fascinante e muito da operação dela se dá com programação e linhas de comando.

Eu acredito firmemente que código e dados não são conhecimentos que devem ficar restritos a uma casta já bastante privilegiada. Quanto mais o assunto for pelo menos familiar, mais pessoas poderão entender como o nosso mundo muito digitalizado funciona e até fazer parte de um movimento positivo de consciência e mudança. Por isso, jamais me encare como um ludista: a tecnologia oferece as ferramentas para transformarmos o mundo.

Nós é que devemos ser julgados pelo que fazemos com elas.

Fotos: Dan Gold no Unsplash, pine watt no Unsplash, Diego Gennaro no Unsplash, Ben McLeod no Unsplash.

Por Luiz Yassuda

Autor deste site. Diariamente comentando os absurdos cotidianos lá no Twitter (@luizyassuda) e eventualmente nos podcasts Mupoca e Braincast.